Resenha | A Maldição da Residência Hill – 1ª Temporada (Original Netflix)

O terror atual não é o mesmo de antigamente. Não conseguimos mergulhar na história como antes e até mesmo nos assustador, ou pelo menos sentir aquele frio na espinha e nervoso durante a sessão. Se para um filme do gênero já é difícil, imagine então para uma série?. As pessoas amam os “jumpscares“, que mesmo sendo óbvios, ainda amados pelo publico, que não é totalmente o alvo mas que adora tomar um susto as vezes. Mas então a Netflix chegou com uma série diferente de todas as outras e finalmente renasceu o amor pelo horror psicológico. Se você está cansado do jumpscare gratuito e gosta de uma boa dose de terror psicológico, com toda certeza você vai amar “A Maldição da Residência Hill”.

A série é baseada no conto gótico de 1959, pela escritora Shirley Jackson, onde acompanhamos a saga da família Crain, onde viveu uma pequena parte de sua infância em uma das mansões mais mal-assombradas dos Estados Unidos. Após anos se passarem, a misteriosa morte de sua irmã caçula, Nellie (Victoria Pedretti) ocorre e os irmãos precisam se reunir e enfrentar seus medos e os traumas ocorridos na casa.

A direção de Mike Flanagan (Hush) faz toda a diferença na série. Podemos ver muito bem que ele entende o que está fazendo, já que usa a técnica televisiva para construir toda a trama, onde conhecemos os irmãos, Shirley (Elizabeth Reaser / Lulu Wilson), Theo (Kate Siegel / Mckenna Grace), Steven (Michiel Huisman / Paxton Singleton), Luke (Oliver Jackson-Cohen / Julian Hilliard) e Nell (Pedretti / Violet McGraw), trazendo episódios onde conhecemos melhor cada um deles e sentimos empatia e obtemos algum sentimento por cada um, de algum jeito. Os muitos nomes é pelo fato da Maldição Hill caminhar com formato de flashbacks, onde temos os irmãos atualmente e no passado, para entendermos o motivo de serem daquela forma pelo passado vivido na casa. Temos também a matriarca da família, Olivia (Carla Gugino) e o pai Hugh (Timothy Hutton / Henry Thomas)

Começamos pelo desenvolvimento de trama. O prazer em maratonar a Mansão Hill é muito forte de várias maneiras. Com uma história envolvente e personagens cativantes, queremos saber mais sobre seu passado e o motivo da casa trazer tanto terror para cada um. Para os amantes de terror e algo mais psicológico, vão ficar felizes ao assistir, já que ele não nos deixa assustados de forma gratuita, tudo realmente tem um contexto para ocorrer e sendo sempre de forma muito espontânea, o que deixa tudo ainda mais interessante e inesperado. O roteiro é construido de forma simples e única, onde conhecemos um personagem por vez e ao mesmo tempo eles vão se ligando e nos mostrando aquilo que foi apresentado no inicio, onde as linhas sempre se cruzam e você entende cada vez mais sobre todo o horror.

Em questão da direção dos episódios e visual, também não existem palavras o suficiente para a série, apenas que é maravilhosa. Com alguns episódios contando com cenas em plano sequencia, cortes do plano atual para o flashback de forma natural e fotografia impecável, não duvido que a Netflix tivesse a chance de ganhar alguns prêmios com ela. As cores que dão destaque para um tempo feliz, mesmo que sombrio, no passado são um grande destaque, o que no futuro já é bem diferente trazendo algo com cores mais frias sempre em um tom mais escuro e dark. A edição posso dizer sem dúvida ser uma das melhores coisas, ganhando meu coração em muitos momentos, mas apenas assistindo é possível sugar toda essa qualidade em forma de imagem.

Agora chegamos para a parte importante: as atuações. O elenco também super combina com a série, sem tirar e nem por. Começando pela matriarca da familia Crain, Carla Gugino mostra o motivo pelo qual é uma das melhores atrizes do mundo, trazendo brilho e terror para sua personagem. E que mesmo aparecendo apenas em flashbacks, é um dos motivos dá série ser o que é. Todo o elenco é maravilhoso, principalmente as crianças, mas existem destaques em especial que precisam ser colocados e que para mim foram incríveis durante a trama. A primeira delas é Kate Siegel e Mckenna Grace, como Theo, a filha do meio. A bagagem de sua personagem é tão grande que entendemos muito bem o motivo dela ser o que é, nos fazendo refletir muitas vezes e como talvez não gostaríamos de ter seu “dom” especial – dando destaque especial para o episódio três e nove. Quem também precisa ser lembrada é Elizabeth Reaser e Lulu Wilson, que fazem a Shirley. Por ambas já estarem nesse gênero do terror, é ficha para elas estarem nesse tipo de trama – principalmente por já terem sido mãe e filha em Ouija 2 – impressionando o como são super parecidas fisicamente. Sua personagem pode ser aquela que controla todos e parece ok, mesmo trabalhando com uma funerária, mas ainda sim carrega um peso muito grande em questão de seu passado.

O único pequeno problema que senti com a série, o que não diminui meu amor por ela, é pelo fato do último episódio acabar dando uma destoada em todo aquele terror. Mesmo que seja o episódio que esclarece tudo e nos traz a sensação de alivio, ainda sinto que poderia ter sido feito de forma diferente, sem perder o fio que estava seguindo.

A Maldição da Residência Hill é com toda certeza uma das minhas séries favoritas de 2018. Ela nos faz sentir medo, ansiedade, curiosidade e até mesmo reflexão de como fazemos certas escolhas e encaramos nossos medos. E como Steve diz, um fantasma não é especificamente um espírito, mas algum trauma, algo que temos medo, que simplesmente se torna o bicho papão de nossas vidas, e se tem uma coisa que pode deixar muitos traumatizados provavelmente vai ser não ter assistido essa maravilha em forma de série de terror.