Resenha | Venom

O diretor Ruben Fleischer tem a difícil missão de apresentar uma boa versão cinematográfica de Venom após a estreia desastrosa do personagem em 2007 pelas mãos de Sam Raimi.

Fleischer realmente consegue apresentar um personagem muito superior ao que vimos em Homem-Aranha 3, mas que infelizmente funcionaria apenas naquela década, não se encaixando nos recentes filmes de heróis da Marvel.

Na trama, Eddie Brock (Tom Hardy) é um jornalista especialista em expor casos de corrupção e fraudes na cidade de São Francisco. Quando ele recebe a missão de cobrir as conquistas de Carlton Drake (Riz Ahmed), o criador da Fundação Vida, Eddie se recusa de início, mas a possibilidade de um grande furo fala mais alto. Ele decide jogar contra Drake todas as acusações sobre suas pesquisas envolvendo cobaias humanas para experimentos. A investigação custa caro! Eddie perde seu emprego, apartamento e a noiva (Michelle Williams). Eventualmente ele tem a chance de se vingar e expor o que acontece na Fundação Vida, após ser procurado pela Dra. Dora Skirth (Jenny Slate), porém logo em seguida um simbionte alienígena intitulado Venom toma posse de seu corpo.

O filme começa com um tom de suspense, mas logo é substituído por um clima de ação, o que é aceitável para o filme do gênero. Contudo, a direção acaba sendo lamentável para a contribuição de um resultado positivo, já que as cenas de ação são mal executadas – e não me refiro somente a quando temos dois simbiontes em cena, porque nessas ocasiões as coisas pioram ainda mais.

Quando finalmente temos a luta final, a poluição visual toma conta do cinema. O excesso de CGI (computação gráfica) te lembra das batalhas de Transformers – mas, ao invés de carros temos lutas que parecem entre amebas, ou utilizando massinha de brincar. Ao menos as lutas dos filmes robóticos de Michael Bay, em sua grande maioria, acontecem durante o dia, diferente de Venom, cujas lutas noturnas fazem com que o espectador não saiba diferenciar quem é quem no duelo.

Em meio a tanta poluição visual, o ponto positivo fica por conta do design gráfico do anti-herói, especialmente quando o simbionte assume o controle do corpo hospedeiro. O visual de Venom lembra muito os quadrinhos raiz do personagem, mesmo não possuindo a clássica aranha branca no peito – algo completamente compreensível dada a história do filme.

O que realmente funciona no filme é a relação entre Eddie Brock e o Simbionte, sendo divertido com um tom sombrio. Infelizmente a relação poderia ter sido muito melhor se Venom não tivesse revelado o real motivo de ter escolhido Brock como seu hospedeiro – o motivo é bizarro, um completo tiro na cabeça dos fãs dos quadrinhos.

Sobre as atuações, Tom Hardy leva o filme nas costas, evitando o fracasso total do longa. Michelle Williams e Carlton Drake são importantes para a trama, mas não convencem deixando seus personagens ainda mais desinteressantes.

Para finalizar, Venom é um filme que funcionaria no Aranhaverso do Tobey Maguire. Que funciona para um público infanto-juvenil – pois sua classificação etária impede cenas de carnificina e acaba apresentando um anti-herói que se preocupa mais com as pessoas do que o próprio cabeça de teia. O longa pode funcionar quem vai ao cinema sem um grau de exigência muito algo – infelizmente algo rotineiro nos dias de hoje –, ou, que vão apenas para dar boas risadas. Por fim, é um ótimo filme da sessão da tarde.

Escrita pelo parceiro, Carlos Rabello do site Filmes&Etc