Resenha | Maniac – 1ª temporada (Original Netflix)

Maniac, o mais novo sucesso da Netflix com Jonah Hill e Emma Stone já estreou no serviço de streaming e a galera já está comentando. Com sua forma diferentona de contar uma história, somos apresentados a um futuro meio distópico, onde caminhamos com Owen Milgrim (Hill) e Annie Landsberg (Stone), duas pessoas completamente diferentes, mas que acabam se cruzando sem querer para ajudar um ao outro.

Owen que é diagnosticado como esquizofrênico e precisa aguentar sua família rica e toda cheia de pompas, acha que a melhor forma de viver é seguir o caminho diferente de seus parentes e viver sua própria vida com um emprego qualquer e um apartamento longe de toda aquela confusão. Mas sofre pressão de sua família sufocante quando precisa depor em defesa de seu irmão, que está sendo acusado de assédio por uma empregada da empresa de sua família.

Já Annie é uma jovem que com uma atitude meio peculiar, é viciada em uma droga produzida pela empresa, Neberdine Pharmaceutical & Biotech, que ajuda ela a fugir dos problemas que sofre com sua irmã mais nova, Ellie Landsberg, que se muda para Salt Lake City com seu marido e ambas acabam brigadas por algum motivo ainda misterioso. Seu pai vive em uma espécie de cápsula de isolamento nos fundos de sua casa, já que ainda sofre com o afastamento da mãe das meninas, que decide simplesmente ir embora e deixa-los para trás.

A série apresenta esse futuro distópico onde muitas vezes temos algo super tecnológico e ao mesmo  tempo antigo – como os computadores em tubo e estilo meio anos 80 em se vestir – mas talvez seja uma das coisas mais interessantes, esse futuro no estilo oriental que lembra um Ghost in The Shell com Her, mas sem transformar a cidade em algo poluído e chuvoso. A visão de Cary Fukunaga acaba sendo algo espetacular e que faz explodir cabeças, mas de uma forma muito positiva.

O desenvolvimento das histórias flui de uma maneira muito interessante, onde os dois primeiros episódios são focados nas histórias dos dois protagonistas e os seguintes no processo que passam nos testes na empresa. E que em seguida somos apresentados a Dr. Azumi Fujita (Sonoya Mizuno), Dr. Muramoto (Rome Kanda) e Dr. James K. Mantleray (Justin Theroux), os desenvolvedores da inteligência artificial, GRTA, criada para o processo de tratamento psicológico e teste nos voluntários. Mesmo que eles não tenham um desenvolvimento profundo, entendemos em algumas conversas e cenas de seus personagens quem eles são e seu propósito, mas que pode acabar ficando um pouco em aberto da forma errada ou na intenção de produzir uma 2ª temporada sobre o antes de toda essa história.

Caminhamos pelos “sonhos” pelos quais os personagens passam ao experimentar as pílulas A, B e C, onde vemos os traumas dos personagens sempre de alguma forma. Na A temos a forma concreta do que o personagem passou, aquele trauma que precisamos entender de imediato. Na pílula B já vemos tudo um pouco mais bagunçado, onde Owen e Annie enfrentam seus traumas juntos e em ambientes distintos, mas com alguma representação de seus problemas, algo que não deveria acontecer. E a C, a pílula mais perigosa é aquela que dá a chave para salvar o mundo e ajudar aqueles que estão sofrendo – mas é melhor não entrar em detalhes, pois spoilers aqui não são ditos.

A série pode sofrer alguns furos e talvez acabe deixando de arriscar em alguns momentos em que poderia se soltar e deixar tudo ainda mais louco, mas que acaba talvez por causa do publico, facilitando um pouco explicações e se contendo na hora de explodir a mente. Mas não podemos reclamar que seu desenvolvimento é bem interessante e mesmo que pirando, explica bem o que estamos vendo em cena.

Maniac, a nova original da Netflix não só chega em peso com um elenco bom, mas apresenta uma história que vale a pena conferir, onde sentimos influencia de David Lynch e Twilight Zone, acompanhamos um futuro distópico onde vemos que a vida mostrada no game, We Happy Few não está muito longe e que muitos gostariam que fosse real um tratamento ou pílula que nos faz esquecer traumas e sofrimentos, em uma sociedade onde as pessoas tem medo de enfrentar seus medos e encarar muitas vezes a realidade.