Resenha | Alfa

Dificilmente os filmes atuais conseguem apresentar um equilíbrio positivo entre uma trama envolvente, personagens interessantes e efeitos visuais realmente bonitos. Alfa consegue entregar tudo isso com uma belíssima história sobre a amizade.

Na trama, após cair de um penhasco e se perder do seu grupo, o jovem Keda precisa sobreviver em meio a paisagens selvagens e encontrar o caminho de casa. Atacado por uma matilha, ele consegue ferir um dos lobos, mas decide não matar o animal. O jovem cuida dele e os dois começam uma linda relação de amizade.

Talvez Keda não seja tão interessante quanto eu tenha dito no início texto, mas confesso não ter me dirigido diretamente a ele, e sim ao protagonista canino que leva o nome do longa, Alfa. O lobo rouba todas as atenções do filme desde seu primeiro momento em cena, você realmente se apega ao personagem de um modo que começa a se preocupar com um futuro drástico do lobinho.

Kodi Smit-McPhee passa maus bocados durante toda a história – para ser mais exato o filme já começa com uma possível tragédia com seu personagem, Keda. Talvez a falta de preparo, ou até mesmo a falta de carisma do ator, não faça você sentir o verdadeiro impacto emocional que o seu personagem esteja passando.

O ator Jóhannes Haukur Jóhannesson tem poucas cenas no filme, mas apresenta um pai de família cativante em busca de recursos para a sobrevivência da sua aldeia durante o longo inverno. Diferente de Smit-McPhee, seus sentimentos, tanto positivos quanto negativos,
atinge diretamente o espectador.

Para que a trama se desenvolva, temos uma cena extremamente forçada envolvendo o protagonista, talvez o simples tivesse funcionado melhor na ocasião. Mas o filme não se perde pela possível escolha errada da direção. O diretor Albert Hughes consegue apresentar sequências belíssimas em CGI, confesso que em algumas cenas me lembrei de 300 de Zack Snyder.

Para finalizar, Alfa te inspira a valorizar a amizade de quem realmente está ao seu lado quando precisa e te faz questionar sobre a sua verdadeira capacidade em dificuldades que a vida lhe proporciona, e que em muitas vezes enfrentamos sozinhos.

Escrita pelo parceiro, Carlos Rabello do site Filmes&Etc