Resenha – Cosmos

Em anos tão tenebrosos como 2017 onde a ciência e todo o avanço que fizemos pareceram ser nada perto de uma massa gigantesca de pessoas fazendo pseudociência ao proclamar os delírios e conspirações universais contra o terraplanismo, Carl Sagan surge com um livro sobre o espaço escrito 1980 tão atual que sua inexistência seria uma das maiores perdas para o ano.

Carl Sagan era um astrônomo conhecido por seu didatismo e fácil habilidade em explicar as coisas mais difíceis – como tudo sobre o espaço. Autor prolífero, Sagan conquistou os estudantes de sua faculdade e acertou em cheio ao mirar no desenvolvimento de uma série de TV sobre o futuro, o passado e sobre o Cosmos. Conseguindo números altíssimos de audiência, Cosmos se tornou um fenômeno não só de público como de informação, guiando a todos pelos planetas, estrelas e tudo mais que o universo pode oferecer.

Sagan achou aceitável criar uma versão impressa para aqueles que não conseguissem acompanhar os episódios na televisão – mal sabendo ele que teríamos internet e estaríamos conectados o tempo todo -, criou então a versão de Cosmos que temos hoje: completamente atualizada e com páginas e páginas extras de conteúdo.

Saber que Carl habitou o mesmo planeta que nós é algo encantador. Conseguimos sentir a animação, o desejo de ensinar ao longo das palavras impressas, o passar das páginas parece cada vez mais rápido e logo entramos não somente no universo propriamente dito como também na divertida mente de Sagan. Com uma didática simples, um interesse em nos levar para todos os cantos do astro, Cosmos mostra que aprender pode ser tão divertido como assistir ao seriado de mesmo nome.

Dividido em treze capítulos, Cosmos consegue encantar quem procura por conhecimento sobre o espaço seja ele qual for. Por serem capítulos muito bem definidos, o leitor não precisa ficar preso em um capítulo ou temática da qual não se interessa. Basta pular para o próximo capítulo para se deliciar com novas informações sem sentir que foi perdido um grande pedaço da história do universo.

Ainda mais incrível é acreditar que uma obra de quase quarenta anos continua sendo atual e completa em todos os sentidos. Raríssimos são os pontos que foram atualizados com o conhecimento atual, nos mostrando como Sagan não somente quis criar uma obra focada em sua época mas sim um livro atemporal capaz de entreter e informar até mesmo aqueles que não conhecem nada sobre o assunto. Somos atirados no passado, no presente e no futuro guiados por um professor animado conseguindo contagiar todos que desejam segui-lo.

A edição conta com fotos e gravuras da época que hoje parecem bem datadas, porém como Carl Sagan morreu nos anos 90, seria um tanto complicado inserir imagens novas em uma obra sem atualizar mais coisas como contexto. Embora velhas, as fotos não são o foco e só servem para ilustrar passagens da obra.

Carl Sagan às vezes parece focar demais em pequenas explicações não tão necessárias. Duas vezes acabei me perdendo na leitura por não entender pontos mais matemáticos, me deixando confuso e não me fazendo entender a razão para um aprofundamento tão acentuado em algo que pareceu não fazer grande diferença durante o resto do livro. Essas passagens exigem um grau de conhecimento físico da qual não consegui desenvolver e, no fim, me pareceu uma pequena falha na hora da edição.

Mesmo assim, Cosmos é de longe um dos melhores livros de 2017, seja por sua relevância atual, sua informação atemporal ou o didatismo perfeito que somente Carl Sagan conseguia transmitir. Cosmos é um livro obrigatório para aqueles que querem adentrar no espaço sem ter qualquer tipo de conhecimento do assunto. Para isso, basta pegar na mão de Sagan e deixar ser levado para os mistérios de nosso universo.

 

Prós

– Didatismo

– Estilo da Escrita

– Atual

Contras

– Aprofundamento Desnecessário

Companhia das Letras                    560 páginas                                   2017