Resenha – Divertida Mente

Divertida Mente é uma volta da Pixar à boa forma. Após algumas animações medianas (Valente) e outras bem fracas (Carros 2, estou olhando pra você!), o estúdio da Disney mostra mais uma vez seu talento para criar histórias originais a partir de premissas inusitadas, que funcionam em diversos níveis, podendo ser apreciadas por crianças e adultos.

A história de Divertida Mente se passa 90% na cabeça de Riley. Após uma breve introdução, mostrando o nascimento da menina e o surgimento de cada uma de suas emoções – que são aqui os personagens principais -, passamos a acompanhar a vida dela e seu desenvolvimento até a pré-adolescência. Com pais amorosos, boas amizades e feliz na escola, tudo corria bem na mente e vida de Riley e a alegria era sua emoção predominante. Na verdade, Alegria – a personagem – de certa forma monopolizava as atividades na sala de controle (no caso, a mente) de Riley. Mas chega uma hora em que descobrimos que a vida não é feita apenas de bons momentos e a alegria não é a única emoção. E esta hora chega quando Riley descobre que sua família terá de se mudar para outra cidade.

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E é aí que começa a confusão na cabeça da menina. As cinco emoções – Alegria, Raiva, Nojinho, Medo e Tristeza – não apenas observam a vida pelos olhos de Riley (literalmente), mas, obviamente, também interferem em como ela se sente. Esses personagens, mesmo infantilizados, são ótimas analogias às emoções humanas e possuem várias nuances. Com todas as mudanças, a Alegria, que antes reinava, precisa, pela primeira vez, disputar terreno com outras emoções, principalmente com a Tristeza. E a forma encontrada para retratar o que se passa na cabeça de uma jovem nessa situação é genial. Conforme Riley vai se abatendo com tudo que está acontecendo, a tristeza vai aos poucos sentindo uma curiosidade cada vez maior e resolve mexer aonde não devia, até que tudo sai fora de controle na mente da garota.

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Como é de se esperar de qualquer longa do estúdio, Divertida Mente é tecnicamente brilhante. Tanto as cenas no mundo real quanto as passadas na mente de Riley apresentam um nível de detalhes absurdo. É preciso também elogiar a dublagem nacional que está impecável, com destaque para Miá Mello como a Alegria e Katiuscia Canoro como a Tristeza. O elenco conta ainda com Otaviano Costa (Medo), Dani Calabresa (Nojinho) e Léo Jaime (Raiva), todos ótimos em seus respectivos papéis.

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Divertida Mente mexeu comigo, não apenas pela história que emociona, mas, principalmente, pela criatividade ao retratar diversas partes e detalhes da mente humana. Sem ter assistido um trailer sequer da animação (não por falta de interesse, mas porque tenho evitado trailers mesmo), eu pouco sabia da história do filme. Conhecia a premissa e sabia que ele se passaria quase que completamente dentro da mente de uma menina, mas não fazia idéia de como aquilo ali seria desenvolvido para uma animação de uma hora e meia. Esta premissa, apesar de ótima, poderia ser um pouco limitante e, apesar de ter sido totalmente conquistado pela idéia logo no início, ainda me perguntava como a Pixar faria para levar a trama adiante sem desgastá-la. Mas o que poderia ser uma cilada para uns, virou trunfo nas mãos do diretor Pete Docter (Up: Altas Aventuras) e companhia. Todos esses questionamentos iniciais foram esquecidos e passei o resto do filme ora boquiaberto ora com um sorriso bobo no rosto as assistir a genialidade daquilo tudo.

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O roteiro de Divertida Mente – escrito por Pete Docter, Meg LeFauve e Josh Cooley – impressiona pela inteligência. As formas encontradas para lidar com conceitos tão abstratos como as emoções e o funcionamento da mente humana, e transformar isso numa história ao mesmo tempo divertida e educativa, impressiona. Além de representar fisicamente as cinco emoções de Riley, o filme ainda traz explicações para coisas como a origem dos sonhos, o porquê de esquecermos alguns acontecimentos antigos e outros não – e alguns serem lembranças recorrentes (uma ótima piada do longa) – e como se dá a formação da personalidade. Mas a idéia mais interessante do filme é justamente sobre a emoção que mais tentamos evitar, a tristeza. Divertida Mente ensina uma lição muito importante sobre como lidar com a tristeza ao invés de simplesmente fugir dela. Até porque a vida não é feita apenas de alegrias e, eventualmente, todos teremos de encarar um momento de tristeza. A mensagem é a de que toda emoção tem seu propósito e seu momento, a questão é sabermos controlar e dosar cada uma delas, afinal, a vida é uma mistura disso tudo. Divertida Mente é, no final das contas, um filme sobre amadurecimento e aprendizado – alegria, raiva, medo, nojo e podem coexistir quando estamos em harmonia.

Ficha Técnica
Divertida Mente (Inside Out) – 2015 (EUA)
Duração: 94 minutos
Gênero: animação, comédia, aventura
Direção: Pete Docter, Ronaldo Del Carmen (codiretor)
Roteiro: Pete Docter, Meg LeFauve e Josh Cooley.

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  • você colocou Raiva duas vezes ao falar sobre a dublagem

    • Fábio Lordello

      Valeu, já consertei no texto. Muito obrigado!! =)

  • Valentina

    esse filme é um amor <3

  • tallys

    eu achei legal

  • tallys

    oi kau
    ,

  • kauã

    eu achi muito legal

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