Resenha – Batman: Assault on Arkham

Desde que Superman Doomsday foi lançado em 2007, vimos o universo animado da DC Comics crescer cada vez mais. O sucesso dos filmes animados tornou possível para Warner Bros. lançar em 2014 duas animações do Homem-Morcego e uma da Liga da Justiça. Seguindo a linha de Son of Batman, este novo filme não tem como protagonista o Cruzado Encapuzado, mas aproveita todo seu rico universo. Ambientado no mesmo mundo da franquia de games iniciada em Batman: Arkham Asylum, o filme Batman: Assault on Arkham dá todo destaque ao Esquadrão Suicida. O grupo, que tem aparecido em diversas mídias fora das HQs, como no game Batman: Arkham Origins e na série Arrow, foi novamente convocado pela Amanda Waller para uma missão especial.

Logo na abertura do filme vemos uma sequência de ação incrível onde Batman está indo atrás do Charada. O enigmático vilão obteve informações secretas que são do interesse do governo e as deixou escondidas no Asilo Arkham. Ao saber disso, a líder das operações governamentais clandestinas não perde tempo e recruta os agentes descartáveis do seu esquadrão. Neste momento somos apresentados a cada membro do grupo com cenas rápidas que mostram do que cada um deles é capaz. Em poucos instantes a animação já é bem sucedida em traçar o perfil de cada personagem, mostrando, por exemplo, o motivo pelo qual o Pistoleiro é reconhecido como um dos maiores atiradores e assassinos do Universo DC e o grau de loucura da Arlequina.

Em razão da alta periculosidade, o imprevisível grupo de criminosos não pode ser descoberto pelo público, que nunca aprovaria tal medida do governo. Por isso, Waller implanta explosivos nas cabeças de cada um deles para que caso a missão fosse exposta ou saísse do controle, a verdade fosse ocultada. Além do líder Pistoleiro, o grupo conta inicialmente com Arlequina, Capitão Bumerangue, Killer Frost, King Shark, Aranha-Negra e KGBeast. Todos eles entram em ação durante o filme, que possui uma pegada rápida e violenta. É interessante notar a colisão de personalidades entre os integrantes do grupo e a construção do relacionamento entre eles, principalmente entre Pistoleiro e Arlequina, que cria uma situação de conflito romântico. Sem opções, o grupo inicia um jogo de sobrevivência onde até mesmo o sucesso da missão não garante sair de Arkham com vida.

Como o título sugere, boa parte da trama depois do ato inicial acontece no manicômio Asilo Arkham, icônico presídio dos insanos inimigos do Homem-Morcego. O local, que já serviu de palco para inúmeros contos clássicos do personagem, está muito bem representado na animação, com sua estrutura totalmente baseada no game Batman: Arkham Asylum, de 2009.

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Apesar do filme ser do Esquadrão Suicida, o maior herói de Gotham também possui seus momentos de brilho e no ato final temos a noção completa do grande volume de personagens da cidade que foram utilizados para construção do enredo. Ver o Batman lidar com os planos do Esquadrão, mais vilões do naipe de Hera Venenosa, Duas-Caras, Espantalho e Bane na mesma noite é algo digno dos games Arkham e demonstra a capacidade do herói. Porém, apesar da quantidade de ameaças simultâneas, o destaque entre os antagonistas novamente vai para o Coringa. Desta vez o Palhaço do Crime resolveu explodir uma bomba na cidade, o que o coloca como número um na lista de prioridades de Bruce Wayne. Consequentemente, o conflito envolve o Esquadrão e o caos atinge proporções consideráveis, chegando a surpreender o espectador em determinados momentos.

Os fãs dos games Arkham se sentirão familiarizados com as vozes dos veteranos Kevin Conroy (Batman) e Troy Baker (Coringa em Batman: Arkham Origins). Ambos possuem experiência nos papéis e já conseguiram criar identidade própria com os personagens. Neste filme específico os destaques vão para as vozes de Hynden Walch, que traz toda loucura da Arlequina, Neal McDonough, que traz a liderança do Pistoleiro, Matthew Gray Gubler, que interpreta muito bem as perguntas do Charada, além de Giancarlo Esposito, o “Gus” de Breaking Bad, que aqui dubla o ninja Aranha-Negra.

Com pouco mais de uma hora, a animação cumpre seu objetivo de criar um bom filme animado do Esquadrão Suicida e se junta a galeria de bons lançamentos domésticos da Warner. Os leitores da DC Comics ficarão contentes com as caracterizações fiéis e motivações dos personagens, sendo possível encontrar algumas referências e easter eggs ao longo do filme, que não fica muito aquém dos já clássicos lançados neste universo animado. Para os que esperam um filme do Batman em razão do título e da arte da capa pode haver decepção, pois esta é uma história principalmente sobre criação e desenvolvimento do Esquadrão Suicida.

Batman: Assault on Arkham é sem dúvida uma animação altamente indicada aos fãs que querem explorar mais o universo Arkham. Infelizmente, este foi o último lançamento do universo animado da DC neste ano. Em 2015 temos confirmados: Justice League: Throne of Atlantis, Batman vs. Robin e Justice League: Gods and Monsters. Isso significa que caso você esteja gostando da sequência de animações, pode respirar aliviado, já que o futuro próximo está garantido.

Ficha Técnica
Batman: Assault on Arkham – 2014
Duração: 72 minutos
Gênero: Animação
Direção: Jay Oliva/Heath Corson
Roteiro: Heath Corson
Elenco: Kevin Conroy, Neal McDonough, Troy Baker, Matthew Gray Gubler, CCH Pounder, Hynden Walch, Greg Ellis e Giancarlo Esposito

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